sexta-feira, 4 abril / 2025

A seca e as altas temperaturas registradas nos últimos dias têm colocado em risco o abastecimento de água em diversas regiões da Bahia. De acordo com a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), medidas estão sendo adotadas para garantir a retomada do volume de água nos sistemas de distribuição, mas a barragem de Água Fria II, responsável pelo abastecimento de Vitória da Conquista, já se encontra em estado de atenção.

Estudos recentes reforçam os impactos das condições climáticas na oferta de água. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), publicada na revista Nature Communications, aponta que mais de 55% dos rios brasileiros estão perdendo água para o subsolo, o que pode comprometer sua vazão. Além disso, um levantamento do Instituto Trata Brasil destaca que a onda de calor contribui para a redução dos volumes hídricos, aumento da concentração de poluentes nos mananciais e maior consumo de água pela população, fatores que elevam o risco de escassez.

Nesta semana, uma massa de ar quente e seco tem provocado temperaturas acima da média em várias regiões do país. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná já estão sendo afetados, com a onda de calor se estendendo para Goiás e Bahia nos próximos dias.

A Embasa esclarece que a captação de água no estado ocorre a partir de diferentes fontes, como rios, poços e barragens. No entanto, a estiagem impacta todos esses mananciais, dificultando a reposição natural da água e reduzindo sua disponibilidade. “Além disso, o calor aumenta o consumo de água pela população, reduzindo o volume disponível no sistema. Em sistemas alimentados por poços, a estiagem provoca o rebaixamento do lençol freático, o que causa redução no volume de água disponível, por isso é preciso perfurar novos poços”, explica a empresa, que tem adotado essa prática para retomar o abastecimento em municípios como Serrinha e Conceição do Coité.

Para garantir o fornecimento, a Embasa informa que tem operado de forma contínua os mananciais alternativos de Vitória da Conquista, captando água dos rios Catolé e Gaviãozinho. Além disso, ações de curto e médio prazo estão sendo planejadas para ampliar a captação nesses mananciais e reduzir a dependência da barragem de Água Fria II.

Outras medidas estruturantes também estão em andamento, como a implantação da adutora Pontal-Centro, que ampliará a flexibilidade do abastecimento em Ilhéus, além dos sistemas integrados de Planaltino/Maracás e Anagé/Maetinga/Presidente Jânio Quadros. No Vale do Paramirim, entrou em operação a nova adutora de integração, construída pela Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb) e entregue pela presidência da República neste mês. A estrutura permitirá o abastecimento alternativo de cidades como Rio do Pires, Ibipitanga, Macaúbas, Boquira e Ibitiara, caso seus mananciais entrem em colapso.

Na mesma região, a Cerb segue com a construção da barragem do Rio da Caixa para reforçar a segurança hídrica. Já em Uauá, a Embasa avança na segunda etapa da adutora de interligação Canudos-Uauá, que atenderá a sede municipal.

Diante do cenário crítico, a Embasa reforça a necessidade do consumo consciente de água. Mesmo com ações em andamento para garantir a preservação dos mananciais e a continuidade do abastecimento, a empresa alerta que a colaboração da população é fundamental. “É essencial que cada cidadão adote hábitos responsáveis no uso da água, evitando desperdícios e contribuindo para a proteção dos recursos hídricos. A conscientização coletiva é indispensável para o bom funcionamento do abastecimento público, especialmente em períodos de seca prolongada”, ressalta.

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